Quando se começa a gostar de alguém a um nível superior ao que ainda pode ser chamado de amizade, diz-se estar “apaixonado”. Este é o termo em português para definir a atração sentida em relação à outra pessoa. Pessoalmente, não sou um grande fã. Primeiramente porque a palavra “paixão” está ligada a um sentimento fulminante, que vem de repente e, da mesma forma, desaparece. Também porque há um equivalente em outra língua que expressa perfeitamente esse sentimento. A expressão em inglês “fall in love”, traduzida literal e porcamente para “cair em amor”, é de uma singularidade da qual nosso idioma, nesse caso, não possui.
Pois é justamente o que ocorre quando começamos a desenvolver esse sentimento por alguém, nós caímos. Não, não se há notícias de gente tropeçando nos próprios pés e terminando estateladas rente ao solo por motivos meramente passionais. Não me refiro a esse tipo de queda. Falo da absoluta imersão a que nos submetemos à essa pessoa. Como se fora um investigador digno de Scotland Yard, “caímos” de cabeça na vida dela. Passamos a pesquisar sobre o passado, o presente, as preferências, as manias. Começamos a notar o jeito de olhar, falar, andar, alguns defeitos e outras tantas virtudes. Testemunhamos também a decaída drástica de nossas habilidades básicas enquanto seres humanos. Perto dela não conseguimos falar, agir ou nem ao menos discernir corretamente entre o certo e o errado. E aí, como invariavelmente acontece após qualquer queda, já estamos no chão.
Outro aspecto interessante da expressão é inglês é o duplo sentido que pode ser aplicado. Como por exemplo na música dos Beatles, “I’ve just seen a face”, acima extraída do musical “Across the Universe”. A pessoa que o deixou “caído” é a mesma que o puxa de volta à realidade. Mais um exemplo da linha tênue que separa o que sentimos daquilo que realmente acontece a nosso redor.
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