segunda-feira, 9 de abril de 2012

E o que tiver de ser...


Um ditado muito famoso e popular começa com o título desse texto: “o que tiver de ser, será”. Muitas vezes na vida, somos postos diante de situações que fogem do nosso alcance. Aqueles momentos em que os acontecimentos futuros não dependem de nós, mas de outros fatores. De outras pessoas ou, como o ditado convencionou, do destino. No entanto, discordo desse pensamento conformista em que o simples passar do tempo é capaz de ajeitar todas as coisas. Não é. Assistir passivamente ao desenrolar dos fatos dificilmente fará com que seus desejos sejam realizados. Pedro Bial deu como conselho para o futuro: usar filtro solar. O meu é: vá atrás. Deixe o orgulho de lado, esqueça um pouco dos percalços do passado e se concentre naquilo que você quer. Não há absolutamente nada que não possa ser conquistado. Ou conquistado de volta. Mas o que tiver de ser, só será se assim for induzido. O que, ou quem, se espera, não aparecerá magicamente. Ir atrás é necessário. E aconselhável.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Medo do bicho-papão


Sim, o Internacional entrou em campo desfalcado de três jogadores titularíssimos. Sim, os substitutos não possuem o mesmo nível técnico. Sim, o adversário era forte e reconhecido como melhor time do país. No entanto, o time colorado entrou em campo como se estivesse preste a enfrentar não um adversário qualificado, mas uma espécie de entidade superior do esporte. Um voraz bicho-papão. Volto a lembrar todos os componentes listados acima, porém o sangue vermelho que corre nas veias de cada um dos jogadores e dos 35 mil torcedores presentes tem que falar mais alto. Em partidas no Estádio Beira-Rio o Inter não pode abdicar da vitória. Não pode “se encolher”. Não pode ter medo. Mas foi exatamente o que aconteceu. Após marcado o gol através do lateral Nei (hoje um dos melhores da posição no Brasil, e é sério!), a equipe ocupou-se apenas a não deixar o Santos jogar. Com os 11 jogadores “atrás da linha da bola”, chamou o time paulista para seu campo e apostou apenas nos contra-ataques. Convenhamos, os donos da casa não podem se curvar aos visitantes. Muito menos tratando-se de Rio Grande do Sul. Muito menos tratando-se do Internacional.

E, como deveras ocorre, a retranca cometeu uma falha. Em jogada pela esquerda, Juan cruzou e Alan Kardec (ex-Inter, com a impressionante marca de UMA partida disputada) empatou, de cabeça. Muriel, mais uma vez, pegou até suspiro. Nei foi um senhor lateral. A dupla de zaga conteve o ataque santista na maioria das oportunidades. O elo frágil da defesa, como já é de praxe, foi Kleber. O lateral-bibelô-bicho preguiça-mascador de chicletes, foi nulo. Atacou mal, marcou mal. O gol do Santos foi em cima dele, assim como houvera acontecido na Bolívia, conta o The Strongest. O meio-de-campo, setor que guardava as maiores preocupações, foi bem. Elton possui grande poder de marcação, embora ele a bola claramente não falem a mesma língua. Sandro Silva foi bem mais uma vez, surpreendeu. Tinga, enquanto teve fôlego, foi o melhor em campo. Atacou, pegou, errou pouquíssimos passes. Dátolo também não decepcionou, mostrou outra vez ser a melhor contratação para essa temporada, ainda por cima deu passe de cinema para Jajá, na segunda etapa. Dagoberto jogou bem, hoje um pouquinhozinhozinho mais avançado. Damião simplesmente desapareceu. Talvez ofuscado pelo protagonismo do amigo Neymar, não acertou uma jogada sequer. Ficou devendo.

Enfim, ficou agora a obrigação de vencer o Juan Auricha, no Peru. Provavelmente com Guiñazu, talvez com D’Alessandro, quase certamente sem Oscar. O empate não chegou a ter sabor de derrota, mas se a atitude fosse um pouco diferente no decorrer do jogo, talvez a história fosse outra. Se aquele chutaço do Jajá entrasse, também

segunda-feira, 5 de março de 2012

Falling

Quando se começa a gostar de alguém a um nível superior ao que ainda pode ser chamado de amizade, diz-se estar “apaixonado”. Este é o termo em português para definir a atração sentida em relação à outra pessoa. Pessoalmente, não sou um grande fã. Primeiramente porque a palavra “paixão” está ligada a um sentimento fulminante, que vem de repente e, da mesma forma, desaparece. Também porque há um equivalente em outra língua que expressa perfeitamente esse sentimento. A expressão em inglês “fall in love”, traduzida literal e porcamente para “cair em amor”, é de uma singularidade da qual nosso idioma, nesse caso, não possui.

Pois é justamente o que ocorre quando começamos a desenvolver esse sentimento por alguém, nós caímos. Não, não se há notícias de gente tropeçando nos próprios pés e terminando estateladas rente ao solo por motivos meramente passionais. Não me refiro a esse tipo de queda. Falo da absoluta imersão a que nos submetemos à essa pessoa. Como se fora um investigador digno de Scotland Yard, “caímos” de cabeça na vida dela. Passamos a pesquisar sobre o passado, o presente, as preferências, as manias. Começamos a notar o jeito de olhar, falar, andar, alguns defeitos e outras tantas virtudes. Testemunhamos também a decaída drástica de nossas habilidades básicas enquanto seres humanos. Perto dela não conseguimos falar, agir ou nem ao menos discernir corretamente entre o certo e o errado. E aí, como invariavelmente acontece após qualquer queda, já estamos no chão.


Outro aspecto interessante da expressão é inglês é o duplo sentido que pode ser aplicado. Como por exemplo na música dos Beatles, “I’ve just seen a face”, acima extraída do musical “Across the Universe”. A pessoa que o deixou “caído” é a mesma que o puxa de volta à realidade. Mais um exemplo da linha tênue que separa o que sentimos daquilo que realmente acontece a nosso redor.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Metacrônica


Poucas agonias são comparáveis a de se encarar uma folha em branco. Qualquer atividade que se comece do zero tem a tendência de apresentar-se particularmente assustadora. No dia-a-dia do jornalista, esse desafio é encarado diariamente. Quantas vezes e por quanto tempo ficamos frente a frente com o papel vazio? E, ainda por cima, nosso trabalho é facilitado pela quantidade de informações que dispomos antes de começar um texto. Temos entrevistas, dados estatísticos, etc. Por muitas vezes, nossa atividade se resume a “aglomerar” todo esse conteúdo e deixá-lo minimamente organizado e agradável aos olhos do leitor. Mas e o escritor? E o cronista, atividade na qual eu atrevo a me aventurar pela primeira vez no momento? Criatividade posta à prova. Por mais que haja a liberdade de se escrever “sobre qualquer assunto”, o terror da folha em branco está sempre presente. E talvez esse seja outro obstáculo. Com uma gama infindável de assuntos para escolher, o cronista se vê, desde o princípio, forçado a fazer valer sua criatividade. Sim, pois este não pode abordar um fato e tratá-lo como notícia. Para isto existem os repórteres. Também não pode simplesmente narrar uma história, como se estivesse escrevendo um diário. Há sempre o objetivo de cativar, interessar quem lê. Alguns optam pelo estilo mais engraçado, divertido. Outros se destacam por causar o “estranhamento” no leitor, aquela sensação de que algo está errado, mas que nos faz continuar lendo até o final. Também tem aqueles com a habilidade de juntar assuntos improváveis e exibir um belo resultado final. Os gaúchos David Coimbra e, especialmente, Luís Fernando Veríssimo, são dois modelos incríveis de todas essas categorias de cronistas. E claro, há também aqueles “malandros”, que frente a aflição da folha em branco escrevem sobre não ter o que escrever. Ou optam por uma crônica sobre... crônicas! Mas bem, estes, por muitas vezes, tendem a ser marinheiros de primeira viagem.

domingo, 9 de outubro de 2011

Happy Thank You More Please


O filme é estrelado, escrito e dirigido pela mesma pessoa. Podia se esperar tranquilamente um show de megalomania. Mas não. Josh Radnor (o Ted, de How I Met Your Mother) apresenta um filme muitíssimo bem feito e de uma delicadeza espantosa. A trama é ambientada em Nova York e, em suma, conta a três histórias simultâneas que se interligam.

Sam (Radnor) é um escritor mal sucedido, perto dos 30 anos que vive sozinho em um apartamento. Atrasado para uma reunião, presencia uma criança ser esquecida pela família no metrô. Compadecido, resolva ajudá-la, mas acaba por não conseguir “se livrar” do garoto e o leva para casa. Em meio a toda essa reviravolta, ele conhece Mississippi (Kate Mara), uma garçonete barra atriz que o encanta desde a primeira vista. A melhor amiga do protagonista é Annie (Malin Akerman), uma paciente de Alopecia amorosamente desiludida. A terceira história é a mais fraca e distante do enredo principal. Envolve a prima de Sam, Mary Catherine (Zoe Kazan) e seu namorado, Charlie (Pablo Schreiber), que dentro de um relacionamento muito longo, começam a enfrentar as primeiras dúvidas e questionamentos sobre seu próprio futuro.

Há de se destacar a naturalidade com que o enredo de desenvolve e como o filme consegue ser enquadrado dentro da categoria “comédia romântica” sem ser nenhum pouco clichê ou melodramático. As atuações, principalmente de Radnor e Mara (uma mulher lindíssima, diga-se de passagem), assim como o restante do elenco, encantam o espectador, fazendo de um filme um tanto despretensioso, tocante e envolvente.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=Ls_SKFeJxEg

A volta da vontade

Índio comemora seu gol com o capitão Kléber

Parecia outro time. Parecia que o druida Panoramix havia participado da preleção e distribuído doses da sua poção mágica. O Inter começou o jogo voando em campo. Pressionando o adversário como há muito não se via. Durante os primeiros 20 minutos de partida, a equipe da casa ficou perto dos 70% de posse de bola. “À lá Barcelona”, como virou moda dizer.

E, como não poderia deixar de ser, o Inter perdeu gols. Vários gols. D’Alessandro, Andrezinho, Jô. Todos tiveram suas chances e as desperdiçaram. Após estes minutos iniciais, o Vasco da Gama igualou as ações do jogo, mas nada que pudesse ameaçar a meta defendida pelo bom goleiro Muriel.

Com o segundo tempo, vieram os gols. D’Ale, Índio e Tinga, no finalzinho, anotaram o placar. Destacaram-se Bolatti, que depois de um longo e tenebroso inverno, voltou a jogar bem; Kleber, que por uma “inspiração divina” não esclarecida, resolveu correr e se esforçar; e sobretudo D’Alessandro, dono do time, craque da meia-cancha, enfim, o legítimo camisa 10 do Internacional. Além da já sabida qualidade do garoto João Paulo e a titularidade, ao meu ver incontestável, da dupla de zaga Moledo e Índio.

E enfim, aquele time que acostumou-se ver arrastando-se em campo deu sangue e buscou a vitória até o final. Creio que, infelizmente, essa reação veio tardiamente, mas pelo menos ainda é possível esperar boas atuações desse time.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Conto chuvoso


É mais um típico dia daqueles em que nada dá certo. Você põe os pés para fora da casa e começa a chover. Obviamente não trouxe seu guarda-chuva, afinal há minutos atrás não havia sequer uma nuvem no céu. Ainda antes você deu jeito de, inconscientemente, burlar o seu despertador e acordou atrasado. Tomou banho correndo, se vestiu correndo e escovou os dentes da mesma maneira. Resolveu pular o café da manhã. No curto trajeto entre o portão do prédio e a parada de ônibus você chega completamente ensopado, o cabelo, as meias, tudo. Por conta da chuva todos que esperam pelos seus ônibus se espremem e se acotovelam na parte coberta da parada. É incrível como parece que a cidade dobra a sua população nos dias de chuva, há mais carros nas ruas, mais pessoas nas calçadas. Estas ainda por cima carregam aqueles guarda-chuvas enormes que deixam o “trânsito” ainda mais complicado. Espremido no meio da multidão, seu ônibus, sua única possibilidade de condução tendo em vista os preços de um carro qualquer, surge no horizonte depois de cerca de dez minutos de espera.

Já dentro do ônibus uma face conhecida. Um grande amigo, de longa data está sentado no fundo do ônibus, no último banco. Com fones de ouvido coloridos nas orelhas e sorrindo para a janela só nota sua presença quando você se aproxima e o cumprimenta. “E aí?”. “E aí?”. Típico troca rápida de informações relevantes da juventude atual. Você se senta a seu lado e começa a puxar assuntos corriqueiros como a faculdade, futebol e a tal chuva: as provas neste final de semestre, a insistência absurda do treinador do Internacional em escalar três zagueiros e a água que Deus insiste em mandar. O motorista parece não se importar com o horário que a grande maioria das pessoas dentro do veículo precisa chegar a seu destino e desfila lentamente pelas ruas sem que seu velocímetro sequer ameace chegar aos sessenta quilômetros por hora.

Subitamente, como que num passe de mágica, você sente deslocar-se mais rapidamente. “O motorista acordou pra vida” – seu amigo comenta. Você sorri, concordando. De repente uma freada brusca, sons altos e confusos começam a ecoar em sua cabeça. Momentos de total escuridão e de fortes clarões. Estampidos. Tudo gira. O teto, o chão, os bancos, ferros, passageiros, tudo se confunde na imensa confusão da tragédia. Quando dá por si, você está no asfalto, ensangüentado, uma sensação fria e horrível toma conta, ao seu lado fones coloridos, nada mais. Ao fundo uma música começa a tocar, gradativamente cada vez mais alta. Você salta da cama – os pingos de chuva fazem barulho caindo no ar-condicionado – desliga o despertador musical do celular. Um sonho, nada mais do que um sonho.