O povo do Rio Grande do Sul é bairrista. É um consenso no resto do país e até mesmo dentro do próprio estado. Esse bairrismo pode ser interpretado tanto como uma forma de orgulho, quanto como um pensamento de “ser superior” ante o restante do Brasil. A primeira demonstração é válida, a segunda, no entanto, pode evoluir para um preconceito com povos de outros estados e o surgimento de movimentos separatistas.
É comum nos estádios de futebol, por exemplo, ouvirmos o hino riograndense ser entoado com muito mais vigor em comparação ao hino nacional. Pelas ruas, o pensamento “antes gaúcho, depois brasileiro” não é raro de ser escutado. O movimento “O Sul é o Meu País” existe desde 1991 e reúne os três estados da região Sul. Levam a bandeira da “autodeterminação” dos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Pregam possibilidades pacíficas e democráticas para o separatismo sulista. A raiz disso tudo pode estar na Revolução Farroupilha, que na realidade não era um movimento claramente separatista, apenas pregava uma maior autonomia para as províncias. Como sabemos dos livros de história, a revolução terminou em um acordo. Teoricamente não houve vencedores ou perdedores, mas o Rio Grande do Sul continuou uma província brasileira. Só o que a guerra trouxe foi o orgulho de ter enfrentado o Império e, de acordo com algumas pesquisas mais recentes, umas moedas a mais na guaiaca de Bento Gonçalves.
Em um rápido exercício hipotético, se hoje fossemos um país, certamente não andaríamos muito bem das pernas. Sem matérias-primas, sem petróleo, sem um porto decente e, sobretudo, com apenas dez milhões de habitantes, restaria a produção de carne, de lã, os móveis e chocolates de Gramado, uma raquítica agricultura, carente de implementos e agrotóxicos, comprados a peso de ouro do centro do país e travada pelas barreiras alfandegárias do Brasil. Fora os aspectos econômicos, fazer parte do país trás inúmeros benefícios ao Rio Grande do Sul. O Brasil é uma nação com uma história muito bonita e uma população admirável. É possível, e aconselhável, sentir orgulho por ser gaúcho e também por ser brasileiro.
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